Canto à Terra

Carne, um osso com osso
A Tua terra emurchecida
Antiga Mãe
Queimada e sem lágrimas Tu aguardas
O Senhor do Céu que veio proclamar
Atroando o Seu ventre tempestuoso
Onde esconde a Sua semente urgente
Até Ele Te penetrar com as Suas flechas
Apagar o ar ardente
Espalhar e repartir as Tuas poeiras
Encher os Teus úteros com jades a mover-se em espiral
Até a Tua carne inchar
No meio do rebentar das águas
Buscando a libertação

Impele com força o Filho Verde
Dez mil vezes renascido
Comprime-O no ar
Enfeitado de jóias pela manhã
Para receber o doce alimento
Nos Teus seios
Para que Ele possa voltar a dançar
E mais uma vez soprar os seus Aromas
Por debaixo dos céus.